Com a inteligência artificial cada vez mais presente no ambiente corporativo, empresas brasileiras buscam formas de implementar a tecnologia sem aumentar custos ou complexidade operacional. Para ajudar nesse processo, Fabio Tiepolo, diretor executivo (CEO) da StaryaAI, reuniu oito recomendações práticas para negócios que desejam dar os primeiros passos na adoção da IA e obter ganhos reais de produtividade, eficiência e competitividade.
A inteligência artificial deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma ferramenta presente no dia a dia das organizações. Segundo pesquisas divulgadas em 2025 por instituições como IDC, Deloitte, PwC, IBM e Cisco, 74% das empresas brasileiras já utilizam IA em suas operações e 94% das que adotaram a tecnologia relatam impactos positivos nos negócios. Além disso, mais da metade das empresas de médio e grande porte já observa resultados mensuráveis provenientes do uso da inteligência artificial.
“Os números mostram que a inteligência artificial já ultrapassou a fase de experimentação e passou a fazer parte da estratégia de crescimento das empresas. O que estamos vendo é uma mudança de comportamento no mercado: organizações de todos os portes estão utilizando IA para ganhar produtividade, reduzir custos operacionais, melhorar o atendimento e tomar decisões mais rápidas. Quem começa agora não está apenas adotando uma nova tecnologia, mas construindo uma vantagem competitiva para os próximos anos”.
O avanço da tecnologia indica que a inteligência artificial terá papel cada vez mais estratégico nas empresas brasileiras. Estudos mostram que 67% dos CEOs do país já utilizam agentes de IA para apoiar processos corporativos e que 92% das organizações pretendem adotar essas soluções nos próximos anos. A expectativa é que o Brasil responda por cerca de 41,7% do mercado latino-americano de inteligência artificial, consolidando sua posição de liderança regional. "A maior barreira para muitas empresas não é a tecnologia, mas a decisão de começar. Hoje existem ferramentas acessíveis para praticamente qualquer negócio. O segredo está em identificar um problema real, testar soluções em pequena escala e evoluir com base nos resultados obtidos", comenta o especialista.
Diante desse cenário, o especialista esclarece que o principal desafio deixou de ser entender o potencial da tecnologia e passou a ser saber por onde começar. “A boa notícia é que a implementação pode ocorrer de forma gradual, sem a necessidade de grandes investimentos iniciais ou mudanças radicais nos processos da empresa”, ressalta o executivo.
1) Comece pelas tarefas repetitivas
O primeiro passo é identificar atividades que consomem tempo da equipe e possuem processos padronizados. Atendimento ao cliente, elaboração de conteúdos, organização de agendas, transcrição de reuniões e análise inicial de dados são exemplos de áreas onde a inteligência artificial costuma gerar resultados rápidos. "A melhor forma de começar é escolhendo uma tarefa que hoje toma muito tempo da equipe. Quando a empresa percebe um ganho rápido de produtividade, a adoção da tecnologia acontece de forma mais natural", explica Tiepolo.
2) Escolha uma ferramenta para resolver um problema específico
Especialistas recomendam evitar a adoção de várias plataformas ao mesmo tempo. O ideal é selecionar uma ferramenta focada em resolver uma necessidade concreta da empresa, permitindo avaliar o retorno sobre o investimento antes de expandir o uso da tecnologia.
3) Capacite e envolva a equipe
A inteligência artificial funciona melhor quando atua como apoio aos profissionais. Investir em treinamento e incentivar a experimentação contribui para aumentar a adesão dos colaboradores e melhorar a qualidade dos resultados gerados pelas ferramentas. "Muitas empresas acreditam que o desafio está na tecnologia, mas na prática ele está nas pessoas. Quanto mais a equipe entende como utilizar a IA no dia a dia, maiores são os ganhos para o negócio", comenta o especialista.
4) Aprenda a criar bons comandos
A qualidade das respostas produzidas por sistemas de IA depende diretamente da forma como as solicitações são feitas. Fornecer contexto, definir objetivos claros, especificar o público-alvo e indicar o tom desejado são práticas que aumentam significativamente a eficiência das ferramentas.
5) Defina métricas antes de implementar
Antes de iniciar qualquer projeto, é importante estabelecer indicadores de desempenho. Redução do tempo de resposta, aumento da produtividade, geração de leads, crescimento do engajamento ou diminuição de tarefas manuais são algumas métricas que ajudam a medir os resultados da iniciativa.
6) Priorize a segurança dos dados
Empresas devem evitar inserir informações confidenciais, dados de clientes ou documentos estratégicos em plataformas públicas sem critérios de segurança adequados. O uso da inteligência artificial também deve estar alinhado às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). "A inovação precisa caminhar junto com a responsabilidade. Segurança da informação e privacidade de dados devem fazer parte de qualquer estratégia de adoção de inteligência artificial", avalia o executivo.
7) Revise sempre os resultados
Embora seja uma ferramenta poderosa, a IA pode produzir informações imprecisas ou equivocadas. Por isso, o especialista recomenda que todo conteúdo, análise ou decisão gerada pela tecnologia passe por validação humana antes de ser utilizada pela empresa.
8) Faça testes contínuos e evolua gradualmente
O mercado de inteligência artificial evolui rapidamente. “Realizar projetos-piloto, acompanhar novas soluções e promover testes constantes permite que as empresas aproveitem as inovações de forma mais eficiente e mantenham vantagem competitiva ao longo do tempo”, completa o especialista.
Ajude o Correio a crescer e a melhorar!