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Sábado, 31 de Janeiro 2026

Games & Tecnologia

Ambiente digital pode ampliar conflitos originados na escola

Pesquisa revela percepções de insegurança e relatos de cyberbullying entre crianças e adolescentes

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Ambiente digital pode ampliar conflitos originados na escola
Foto: Freepik
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Com o retorno às aulas, o ambiente escolar volta a concentrar não apenas interações presenciais, mas também dinâmicas que se estendem ao espaço digital e podem gerar riscos à saúde mental e outros perigos. É o caso do cyberbullying, prática caracterizada por ataques, humilhações e exposições feitas de forma recorrente na internet em razão da condição social, da aparência física ou de outras características de uma pessoa. Discussões, exclusões e rivalidades na escola tendem a migrar para ambientes como redes sociais, jogos on-line e aplicativos de mensagens, onde ganham maior visibilidade e ampliam os impactos sobre quem sofre as agressões. 

O cyberbullying potencializa os danos à pessoa que sofre bullying, especialmente em crianças e adolescentes, que ainda não desenvolveram totalmente o seu arcabouço psíquico para enfrentar tais questões”, explica Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund. Mudanças bruscas de humor, ansiedade, crises de pânico, tristeza persistente, irritabilidade, perda de apetite e isolamento social estão entre os sinais mais recorrentes entre as vítimas.

Dados do estudo Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, realizado pelo ChildFund, mostram que o ambiente on-line é percebido por adolescentes como um território marcado pela insegurança, exposição ao bullying e outras formas de violência. A pesquisa ouviu 8.436 adolescentes de 13 a 18 anos, de escolas públicas e privadas, em todas as regiões do país, combinando métodos quantitativos e qualitativos.

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Os resultados revelam diferenças importantes na percepção de segurança on-line entre meninas e meninos. O sentimento de insegurança é relatado por 21% das meninas e por 10% dos meninos. Nos grupos focais, foram registradas sete menções a bullying feitas por meninas e três por meninos, indicando que elas podem sofrer cerca de 2,3 vezes mais ameaças desse tipo. Os relatos envolvem xingamentos, comentários maldosos, exposição da aparência física e assédio.

Redes sociais e jogos ampliam a exposição à violência

Ao analisar os ambientes digitais percebidos como mais inseguros, os adolescentes apontaram o Instagram como o principal espaço de risco, concentrando 68% das menções. Em seguida aparece a plataforma de jogos on-line Roblox, com 12%. Jogos como Free Fire também foram associados a agressões verbais, enquanto o TikTok foi relacionado à exposição a comentários ofensivos.

Relatos coletados na pesquisa ilustram como essas situações se manifestam no cotidiano. Em um dos depoimentos, um adolescente descreve a invasão de uma conta no Instagram e o envio de mensagens ofensivas a partir de um perfil hackeado. Em outro, um jovem relata ter sido ameaçado por um usuário desconhecido durante uma interação no Roblox.

Diferenças entre estudantes de escolas públicas e privadas também foram identificadas. Adolescentes da rede pública relataram maior exposição ao bullying e ao assédio on-line - 63% afirmaram ter sido abordados por desconhecidos. Já entre estudantes da rede privada, os dados indicam maior eficácia de mecanismos de proteção, como orientação, controle digital e redes de apoio.

A supervisão do acesso à internet exercida por pais e responsáveis é um mecanismo de proteção fundamental, mas ainda aparece de forma limitada na realidade dos adolescentes brasileiros. Na pesquisa, apenas 35% dos jovens relataram algum tipo de acompanhamento no uso da internet, o que evidencia a necessidade de ampliar o diálogo e a orientação sobre convivência e segurança no ambiente digital”, afirma Mauricio.

Cyberbullying é crime

Em 2024, o Brasil passou a contar com um marco legal específico para o enfrentamento do bullying e do cyberbullying. A Lei nº 14.811/2024 alterou o artigo 146-A do Código Penal e estabeleceu punições para a prática de intimidação sistemática, incluindo multa e reclusão, a depender da gravidade do caso. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou, no mesmo ano, 2.935 ocorrências de bullying e cyberbullying com vítimas de 0 a 19 anos, sendo 460 classificadas como cyberbullying. O estudo, no entanto, não reflete a totalidade dos casos, mas apenas aqueles que chegaram a ser formalmente registrados pelas polícias civis estaduais.

Recomendações para o enfrentamento à violência digital

O ChildFund indica estratégias prioritárias que podem ser adotadas por escolas, pais e responsáveis para reduzir riscos, enfrentar o cyberbullying e fortalecer a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital:

  • Riscos e resposta a ameaças digitais: implementação de módulos educativos, inclusive com abordagens gamificadas, sobre cyberbullying, além da disponibilização de recursos claros sobre “como denunciar” e “onde buscar ajuda”, integrados às redes sociais mais utilizadas pelos adolescentes.

  • Privacidade e segurança: desenvolvimento de campanhas educativas voltadas à configuração de contas e à segurança digital em plataformas como Instagram e TikTok.

  • Controle digital equilibrado: combinação de ferramentas de controle parental, como o Family Link, com diálogo e transparência entre adultos e adolescentes.

  • Treinamento e capacitação de pais e responsáveis: ações voltadas à preparação de adultos para lidar com a segurança digital, incentivando conversas abertas e contínuas com crianças e adolescentes. O ChildFund criou o curso Safe Child, oferecido gratuitamente neste site

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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