“Não existe um investimento 100% sem risco.” A frase pode soar dura para quem está começando a investir, mas é justamente esse alerta que ajuda a evitar decisões impulsivas - especialmente em um momento em que o Brasil vive um cenário de juros elevados e notícias sobre recentes intervenções do Banco Central em instituições financeiras.
Especialista em finanças e investimentos, Fellipe Rabelo explica que, apesar de não haver investimento totalmente seguro, existem alternativas para escolher caminhos mais protegidos. “A segurança não está apenas no rendimento prometido, mas em uma combinação de fatores como a solidez da instituição escolhida, diversificação e planejamento”, afirma.
Segundo Rabelo, um dos erros mais comuns é acreditar em promessas de retorno alto sem avaliar quem está por trás do investimento. “Antes de olhar para a taxa, é fundamental analisar o emissor. Pesquisar a saúde financeira do banco ou da empresa é um passo básico, mas muitas vezes ignorado”, destaca.
Nos últimos meses, a liquidação de algumas instituições financeiras pelo Banco Central reacendeu o receio de muitos brasileiros sobre onde manter seus recursos. Embora o especialista avalie que o sistema financeiro nacional seja sólido e que situações extremas, como o congelamento das poupanças na era Collor, sejam hoje muito improváveis, ele reforça que o investidor precisa estar atento.
Crise bancária acende sinal de alerta
“Quando uma taxa está muito acima do que o mercado paga, isso já é um sinal de alerta. Se está pagando demais, é porque o risco também é maior”.
Nesse contexto, o Tesouro Direto, especialmente o Tesouro Selic, deve ser usado como referência para comparar oportunidades. Se um investimento promete retornos muito superiores, é importante questionar a sustentabilidade daquela oferta.
Tesouro Selic: o porto mais seguro
Em cenários de incerteza, o especialista destaca o Tesouro Selic como uma das opções mais seguras disponíveis atualmente. O título público é considerado o ativo de menor risco do país, por ser garantido pelo governo federal, e ainda oferece liquidez diária, permitindo o resgate a qualquer momento.
“O Tesouro Selic serve para qualquer perfil de investidor - conservador, moderado ou até agressivo - e para todos os tamanhos de bolso”.
Por isso, costuma ser indicado como o principal destino da reserva de emergência, aquele dinheiro que precisa estar disponível para imprevistos.
A importância da reserva de emergência
Ter uma reserva financeira não é apenas uma boa prática, mas uma proteção essencial. A orientação do especialista é que esse valor cubra entre seis e doze meses dos custos fixos mensais.
“Se uma pessoa gasta R$10 mil por mês, o ideal é que tenha pelo menos R$60 mil com liquidez imediata”, exemplifica Rabelo. Esse montante não deve ser aplicado em investimentos de maior risco, justamente para não comprometer a segurança em momentos de necessidade.
Novos investidores: por onde começar
Para quem ainda está dando os primeiros passos no mundo dos investimentos, o especialista recomenda começar com organização e cautela:
- Priorizar investimentos com liquidez diária, que possam ser acessados rapidamente;
- Evitar aplicar todo o dinheiro em uma única instituição ou produto;
- Desconfiar de promessas de retorno fácil e muito acima do padrão do mercado.
“O brasileiro ainda não tem o hábito de poupar, mas essa reserva é essencial para atravessar períodos de instabilidade sem comprometer o patrimônio”.
Já sou investidor: como conduzir melhor os investimentos
Para quem já investe, o momento exige ajustes e atenção redobrada. Entre as principais orientações práticas estão:
- Diversificar a carteira, distribuindo os recursos entre diferentes instituições financeiras e tipos de investimento;
- Evitar concentrar grandes valores em instituições com saúde financeira frágil;
- Verificar se os investimentos contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre aplicações como CDB, LCI e LCA até R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro;
- Acompanhar a solidez dos bancos por meio de informações públicas, como os rankings disponíveis no site do Banco Central.
“Não colocar todos os ovos no mesmo cesto é uma regra básica que continua valendo, especialmente em momentos de maior instabilidade”.
Como avaliar a solidez de um banco
Para escolher instituições mais seguras, Fellipe recomenda consultar informações públicas. O site do Banco Central disponibiliza rankings e dados que permitem avaliar a solidez dos bancos que operam no país.
Mesmo no caso dos bancos digitais, o cuidado deve ser o mesmo. “Eles fazem parte do sistema financeiro e também oferecem acesso a ativos seguros. O importante é não deixar todo o patrimônio em um único lugar”, orienta.
Informação e planejamento fazem a diferença
Embora não seja possível eliminar completamente os riscos, Rabelo destaca que informação, diversificação e planejamento reduzem significativamente as chances de prejuízos graves. Em caso de dúvida, procurar um assessor de investimentos qualificado também pode ajudar a alinhar decisões financeiras aos objetivos de curto e longo prazo.
“No fim das contas, investir com segurança não é sobre ganhar mais rápido, mas sobre proteger o que você já conquistou”, finaliza.
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