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Sábado, 31 de Janeiro 2026

Economia & Mercado

Como não deixar IPVA, IPTU e escola "engolirem" o orçamento de 2026

Serasa aponta que despesas sazonais podem passar de R$ 4 mil; especialista explica como planejar, negociar e reorganizar as contas sem arrastar o aperto até dezembro

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Como não deixar IPVA, IPTU e escola
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O começo do ano concentra despesas que chegam todas de uma vez: IPVA, IPTU, matrícula escolar, uniforme, material e, para muitas famílias, reajustes de serviços essenciais. Quando essas contas entram no orçamento sem planejamento, o efeito costuma ser duradouro: o aperto de janeiro vira parcelamento até o fim do ano, reduzindo a renda disponível e aumentando a chance de recorrer a crédito caro para cobrir o básico.

Segundo o Serasa, mais da metade dos brasileiros pretendia gastar até R$ 4 mil com despesas de início de ano (como IPVA, IPTU, matrícula e outras), e o levantamento também aponta que esse valor está 21% acima da renda média estimada pelo Ipea.

Para Kaike Ribeiro, diretor executivo (CEO) da Finanto, o maior risco desse período é o “efeito dominó” no orçamento. “Essas contas são previsíveis. O problema é quando elas são pagas de forma desorganizada, com parcelas que se acumulam e viram uma bola de neve. A regra aqui é simples: não deixe as contas do início do ano comprometerem o orçamento do ano inteiro”, afirma.

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Além da concentração de despesas, o custo do dinheiro no Brasil torna qualquer erro de estratégia mais caro. Dados divulgados com base no Banco Central mostram que os juros do rotativo do cartão seguem em patamar extremamente elevado, chegando a 440,5% ao ano em novembro de 2025, o que ajuda a explicar porque “empurrar” essas contas para o crédito caro costuma piorar a situação.

Por isso, o especialista recomenda um conjunto de medidas práticas para atravessar janeiro e fevereiro com mais controle e menos estresse:

1) Transformar o susto em plano: listar todas as despesas sazonais (impostos, escola, transporte, seguros, contas anuais) e separar o que é inegociável do que é ajustável. “Quando a família sabe exatamente o que vence e quando vence, ela ganha poder de decisão. Sem isso, tudo vira urgência”, diz.

2) Escolher a forma de pagamento com inteligência. Se houver desconto real para pagamento à vista e isso não comprometer o básico, pode fazer sentido. Caso contrário, é melhor parcelar de modo planejado, e não “no impulso”, evitando ao máximo linhas com juros altos. A lógica é impedir que o começo do ano vire um compromisso longo que reduz a margem de manobra mês a mês.

3) negociar antes de atrasar. Em escola, material, uniforme e até em alguns serviços, há espaço para pesquisa e negociação, seja por compras em grupo, reaproveitamento de itens, escolha de marcas mais baratas ou parcelamentos diretos sem juros. No caso de tributos, vale comparar opções de pagamento e organizar a quitação de modo que não asfixie o caixa do mês.

4) Criar um “colchão” mínimo imediatamente, mesmo que pequeno. “Reserva de emergência não nasce grande; nasce constante. Em meses de contas concentradas, uma meta pequena já evita cair no rotativo do cartão por qualquer imprevisto”, reforça Ribeiro.

5) Travar um limite para gastos invisíveis durante esse período. Assinaturas esquecidas, delivery frequente e pequenas compras recorrentes costumam ser o vazamento que impede o orçamento de fechar justamente quando ele mais precisa de controle.

E, por fim, o especialista destaca que, em alguns casos, faz sentido reorganizar o fluxo de pagamento com uma solução estruturada, desde que isso reduza custo e traga previsibilidade. “Quando a alternativa é entrar no rotativo ou no cheque especial, um empréstimo com parcelas fixas e condições mais adequadas pode ser usado de forma pontual para organizar as contas. O crédito não pode ser muleta, mas pode ser ferramenta, desde que venha acompanhado de planejamento”, conclui.

Para Kaike, atravessar o início do ano com equilíbrio não exige fórmulas complexas: exige clareza, escolhas conscientes e decisões tomadas antes do aperto virar desespero. “O objetivo é simples: pagar o que precisa ser pago sem hipotecar o resto do ano”.

Planejar o pagamento, evitar decisões impulsivas e pensar no orçamento como um ciclo anual, e não apenas mensal, são passos fundamentais para garantir equilíbrio financeiro e mais tranquilidade ao longo de todo o ano.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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