A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar parte do cotidiano das empresas. Ferramentas capazes de automatizar tarefas, analisar grandes volumes de dados e otimizar processos já estão transformando rotinas de trabalho, redefinindo funções e exigindo novas competências dos profissionais.
Diante desse cenário, uma pergunta tem se tornado cada vez mais comum: como permanecer relevante em um mercado impactado pela IA?
Para a neurocientista e fundadora da Santé, Carol Garrafa, a resposta não está em competir com a tecnologia, mas em aprender a utilizá-la de forma estratégica.
“A inteligência artificial não substitui profissionais qualificados. Ela substitui tarefas repetitivas e, ainda, indivíduos que não se requalificarem a partir da aprendizagem em IA. Quem entende isso sai na frente”.
Segundo Carol, a primeira mudança necessária é a mental. Aqueles que resistem à tecnologia ativam no cérebro mecanismos ligados à ameaça e à insegurança. Por outro lado, enxergar a IA como uma ferramenta de ampliação de capacidades estimula a adaptação e favorece o aprendizado.
“O cérebro humano é altamente plástico. Quando nos colocamos em posição de aprendizado contínuo, criamos novas conexões neurais e ampliamos nossa capacidade de inovação”.
Na avaliação da especialista, três pilares se tornam fundamentais para quem deseja se manter competitivo na era da inteligência artificial.
Veja a seguir:
1. É preciso aprender a usar IA de forma estratégica
Não basta conhecer superficialmente as ferramentas de inteligência artificial. “Para extrair valor real da tecnologia, é preciso compreender como integrá-la ao trabalho diário, utilizando seus recursos para ampliar produtividade, melhorar a análise de informações e apoiar processos de decisão”, afirma a neurocientista.
Na prática, isso pode significar usar ferramentas de IA para organizar grandes volumes de dados, estruturar relatórios, gerar insights preliminares ou otimizar tarefas operacionais que antes consumiam horas da rotina profissional. Com isso, o tempo e a energia podem ser direcionados para atividades mais estratégicas, como análise crítica, tomada de decisão e inovação.
“Profissionais que sabem fazer as perguntas certas à tecnologia e interpretar os resultados com senso crítico tornam-se indispensáveis. A inteligência artificial pode gerar respostas rápidas, mas o valor está na capacidade humana de contextualizar informações e transformá-las em decisões relevantes para o negócio”.
2. Desenvolver habilidades essencialmente humanas
Criatividade, pensamento crítico, inteligência emocional e comunicação estão entre as chamadas People Skills, competências humanas relacionadas à forma como pensamos, nos relacionamos e tomamos decisões. “Em um cenário cada vez mais automatizado, essas habilidades ganham ainda mais relevância por envolverem capacidades que a tecnologia não consegue replicar plenamente”, explica Carol.
“A IA processa dados, mas não constrói vínculos, não lidera pessoas e não toma decisões éticas complexas. O futuro do trabalho será resultado da combinação entre tecnologia e humanidade”, completa.
Segundo a especialista, os profissionais capazes de integrar conhecimento técnico ao desenvolvimento dessas competências tendem a se destacar em um mercado cada vez mais orientado por inovação e colaboração.
- Cultivar a capacidade de adaptação
O mercado muda em ritmo acelerado. Para Carol, a adaptabilidade é a competência essencial da década. “Quem se apega ao que sempre funcionou tende a ficar para trás. O profissional relevante é aquele que revisita suas competências com frequência e busca atualização contínua”.
Nesse sentido, dois conceitos estão ganhando força no mercado: Upskilling e Reskilling, termos ligados à requalificação da força de trabalho diante das mudanças tecnológicas, organizacionais e do mercado. Upskilling é o aprimoramento de habilidades dentro da mesma função ou área, a ideia central é aprofundar ou atualizar competências existentes. Reskilling é a aprendizagem de novas habilidades para geralmente exercer uma função diferente, ou seja, requalificação para uma nova função.
Além disso, a neurocientista alerta para a importância do equilíbrio emocional nesse processo. A transformação digital pode gerar ansiedade e sensação de insegurança. “Cuidar da saúde mental é estratégico. Um cérebro sobrecarregado aprende menos, reage mais e se adapta com dificuldade”, afirma.
No mundo do trabalho atual, onde mudanças acontecem cada vez mais rápido, permanecer relevante não depende mais só da experiência acumulada, depende da capacidade de se adaptar. A inteligência artificial está transformando profissões, mas também está criando novas oportunidades para quem se dispõe a aprender, valorizar o que nos torna humanos e incorporar a tecnologia ao dia a dia profissional. Mais do que representar um risco, a IA é uma chance real de crescimento para quem escolhe acompanhar as mudanças do seu tempo, em vez de resistir a elas.
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