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Quinta-feira, 17 de Setembro 2026
Cultura & Entretenimento

Itaú Cultural Play estreia mostra Travessias, com filmes de realizadores trans e travestis de diferentes regiões do país

Com curadoria da Associação de Profissionais Trans do Audiovisual (APTA), a seleção reúne cinco filmes, entre ficções, documentários e trabalhos experimentais

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Itaú Cultural Play estreia mostra Travessias, com filmes de realizadores trans e travestis de diferentes regiões do país
Foto: Divulgação
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A plataforma Itaú Cultural Play (IC Play) estreia no dia 18 de setembro (sexta-feira) a mostra Travessias, com filmes realizados por pessoas trans e travestis de diferentes regiões do Brasil. Com curadoria de Alice Muniz, presidente da Associação de Profissionais Trans do Audiovisual (APTA), a seleção apresenta a diversidade territorial da produção audiovisual LGBT+, em cinco filmes que propõem a ideia de travessia como um movimento contínuo, atravessado por desigualdades sociais, relações de pertencimento e formas de resistência.

A mostra reúne, em documentários, ficções e trabalhos experimentais, produções dos estados de Alagoas, Pará, Rio Grande do Norte e São Paulo. A proposta é ampliar o olhar sobre a produção trans para além dos grandes centros do audiovisual brasileiro.

O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Parte do conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.

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Um dos filmes da seleção é o curta paulista Ela & Elu (2025), de Icá Iuori, um romance ambientado no encontro entre uma estudante introvertida e uma pessoa não-binária. A partir da relação entre os dois jovens, aborda as temáticas família, sexualidade, afeto e existência, questionando convenções heteronormativas e papéis de gênero.

De Alagoas, Ainda escuto o céu embaixo d’água (2024), dirigido por Alice Lovelace, Kalina Flor, Lua de Kendra, Morgana Neves e Samantha de Araújo, acompanha Samantha, uma jovem travesti que já não consegue sonhar e passa a observar, à distância, a diversão de suas amigas no Bar da Ana. O documentário constrói uma narrativa sobre desejo, cotidiano e os espaços de convivência.

Produzido no Pará, Mururé (2024), de Gabriela Luz, acompanha uma pessoa trans que vive em um ambiente familiar hostil e encontra a coragem para enfrentar o pai em forças espirituais da Amazônia. O curta incorpora elementos da cultura amazônica, como a boiuna e a flor de mururé, em uma narrativa que articula identidade, pertencimento, resistência e maternidade. O filme recebeu Menção Honrosa em Direção de Fotografia no Festival Ruídos Queer, e integrou a programação de festivais em diferentes estados brasileiros.

Na mostra, o Rio Grande do Norte é representado por Pupá (2024), documentário dirigido por Osani sobre uma moradora de Acari que divide seu cotidiano entre trabalhos domésticos, ofício de cambista e produção de lambedores, xaropes caseiros. Nas serestas, forrós, rios e açudes, ela encontra espaços para exercer sua autonomia e reafirmar o direito de viver livremente. O filme foi eleito Melhor Filme pelo júri oficial do 11º Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo (Cine.Ema).

A seleção fecha com Perifericu (2020), de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira. Ambientado no extremo sul de São Paulo, o drama acompanha Luz e Denise, duas mulheres cujos corpos dissidentes desafiam a hegemonia da cisgeneridade. Entre a noite paulistana, o amor, a fé e os sonhos, o filme aborda as relações entre território e realidade social. Vencedor do prêmio de Melhor Curta pelo público no 27º Festival Mix Brasil, a produção também incorpora o Pajubá, dialeto historicamente utilizado por travestis e mulheres trans como forma de resistência e segurança.

FICHAS E SINOPSES DOS FILMES:

Ela & Elu (romance, 18min, São Paulo, 2025)

De Icá Iuori

Classificação indicativa: A12 – temas sensíveis, estigma e preconceito, drogas lícitas

Sinopse: Ela, uma estudante introvertida, tem um encontro inesperado com Elu, uma pessoa não-binária. Após uma festa, emoções até então desconhecidas para ambos vêm à tona. A partir desse momento, cabe aos jovens decidirem se vão se aprofundar nas descobertas que essa nova relação pode proporcionar ou se manterem presos às amarras do cotidiano e das tradições da sociedade.

Ainda escuto o céu embaixo d’água (documentário, 13min, Alagoas, 2024)

De Alice Lovelace, Kalina Flor, Lua de Kendra, Morgana Neves, Samantha de Araújo.

Classificação indicativa: AL – violência, drogas lícitas

Sinopse: Samantha, uma jovem travesti, não consegue mais sonhar. Enquanto suas amigas se divertem no Bar da Ana, seus pensamentos voam longe.

Mururé (drama, 21min, Pará, 2024)

De Gabriela Luz

Classificação indicativa: A12 – violência doméstica, temas sensíveis, medo

Sinopse: Mururé vive em um lar hostil onde não consegue expressar sua identidade de gênero com segurança. Um encontro inesperado com forças espirituais da Amazônia resgata sua coragem para, de uma vez por todas, enfrentar seu pai que tanto a oprime. Em meio aos conflitos familiares, os limites de todos são testados e Mururé vê até onde uma mãe está disposta a ir por seus filhos.

Pupá (documentário, 14min, Rio Grande do Norte, 2024)

De Osani

Classificação indicativa: A12 – drogas lícitas

Sinopse: Pupá mora em Acari, no Rio Grande do Norte, onde sua presença é sinônimo de alegria e liberdade. No dia a dia, ela se divide entre trabalhos domésticos, o ofício de cambista e a criação de lambedores. Aos finais de semana, encontra nas serestas, forrós, rios e açudes o espaço onde reafirma o direito de viver sua própria autonomia.

Perifericu (drama, comédia, 20min, São Paulo, 2020)

De Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira

Classificação indicativa: A14 – estigma e preconceito, drogas ilícitas, linguagem imprópria e temas sensíveis

Sinopse: Luz e Denise moram na periferia do extremo sul de São Paulo. Seus corpos dissidentes desafiam à hegemonia da cisgeneridade e lutam pelo direito de existir. Da noite paulistana às angústias do amor, entre louvores e versos que carregam uma revolução em sua essência, seus sonhos enfrentam a realidade todos os dias.

Mostra Travessias

A partir de amanhã (18)

Na Itaú Cultural Play: www.itauculturalplay.com.br

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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