Você encontra uma oferta, compara preços, coloca o produto no carrinho e conclui a compra. Em poucos segundos, o pedido está feito. Por trás dessa experiência, diversos sistemas trabalham em conjunto para registrar a transação, atualizar o estoque, processar o pagamento e organizar a entrega. Na Black Friday, quando o volume de pedidos aumenta, essa engrenagem tecnológica ganha ainda mais importância.
A expectativa para 2026 é que o comércio eletrônico brasileiro movimente R$ 13,3 bilhões entre os dias 26 e 29 de novembro, segundo projeção da Confi, por meio da solução Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil. O valor representa alta de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Para o consumidor, basta clicar em alguns botões. Já as plataformas precisam lidar com acessos simultâneos, manter as informações atualizadas e proteger os dados dos usuários. A programação é parte fundamental desse processo, pois define as instruções que fazem cada etapa da operação funcionar.
“A programação permite organizar essas etapas, desde a escolha do produto até a confirmação do pagamento. Entender essa lógica ajuda a perceber que a tecnologia vai muito além do que aparece na tela”, afirma Marco Giroto, fundador da escola SuperGeeks ao Correio.
A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a essa experiência, auxiliando consumidores em diferentes momentos da jornada de compra. Pesquisa do Google em parceria com a Ipsos, divulgada em material sobre as tendências da Black Friday de 2026, aponta que 57% dos consumidores brasileiros já utilizam ferramentas desse tipo durante as compras.
Esses recursos também começam a ir além da pesquisa de produtos e a participar da realização de transações. Segundo a Stripe, empresa de pagamentos, as transações feitas por agentes de IA por meio da carteira digital Link cresceram 38 vezes em um mês, conforme dados divulgados em setembro de 2026. Na prática, o agente pode conduzir a compra e efetuar o pagamento em nome do usuário, após a aprovação da transação. Isso abre caminho para uma experiência em que parte das etapas deixa de ser executada manualmente pelo consumidor. Por enquanto, o serviço está disponível nos Estados Unidos, sem data anunciada para chegar ao Brasil. A empresa não divulgou o número absoluto de operações.
Essa evolução mostra como a automação já interfere em atividades cotidianas e pode modificar a maneira como as pessoas tomam decisões. Embora aprender programação não signifique, necessariamente, seguir carreira no setor, o contato com a lógica computacional pode ajudar a desenvolver habilidades como resolução de problemas, raciocínio lógico e análise crítica. Essas competências ganham relevância em um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pelas tecnologias digitais.
Por isso, compreender o funcionamento dessas ferramentas e reconhecer seus limites torna-se importante para profissionais de diferentes áreas, inclusive aqueles que não trabalham diretamente com seu desenvolvimento.
“A inteligência artificial vai fazer cada vez mais parte da rotina das pessoas, e não adianta simplesmente evitá-la. É preciso aprender a utilizar essas ferramentas com consciência. Seja em uma loja virtual, seja diante de um agente que realiza uma compra de forma autônoma, entender como esses sistemas funcionam ajuda a reconhecer quando executam tarefas e quando podem influenciar decisões de compra”.
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