O aumento dos casos recentes de violência de gênero no país reacende o alerta sobre a urgência de políticas e iniciativas que enfrentem o problema desde a infância. Somente em 2024, mais de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência de gênero, segundo dados do DataSenado. O último fim de semana de novembro trouxe novos episódios chocantes: no sábado (29), Taynara Souza Santos foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Zona Norte da Capital Paulista por Douglas Alves da Silva, após uma discussão motivada por ciúmes. Na sexta (28), a advogada Laís Angeli foi agredida pelo namorado, o influenciador Thiago da Cruz Schoba, conhecido como “Calvo do Campari” e ligado ao movimento red pill. No Rio de Janeiro, no mesmo dia, Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro foram assassinadas dentro do Cefet por um servidor que, segundo investigação, “não aceitava ser chefiado por mulheres”.
Enquanto esses casos ilustram a gravidade da situação, iniciativas de base têm mostrado caminhos possíveis para transformar realidades. Entre elas está o Rugby pela Igualdade, projeto gratuito que atua há quatro anos no Grajaú — terceiro distrito com mais casos de feminicídio em São Paulo. A ação reúne crianças e adolescentes, meninos e meninas, com cerca de 300 participantes, sendo 132 meninas.
Por meio do esporte, o projeto promove equidade de gênero com estratégias contínuas:
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Regras inclusivas: em cada partida, ao menos duas meninas devem estar em campo, e os pontos feitos por elas valem um ponto a mais, incentivando que recebam mais passes.
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Ambientes de diálogo: realização de eventos exclusivos para meninas, como o Empodera Guardiã, além de rodas de conversa sobre desafios, autoestima e conquistas.
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Equipe majoritariamente feminina: 70% dos monitores são mulheres — acima da exigência mínima de 60% — e recebem formação específica para lidar com o público infantojuvenil e questões de gênero.
O Instituto Anchieta Grajaú, responsável pelo projeto, atua com educação e inclusão social em um espaço de 220 mil m², sendo 45 mil m² de área verde, dimensão semelhante ao Parque Trianon. A organização sem fins lucrativos desenvolve projetos para populações vulneráveis desde a primeira infância.
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