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Sábado, 31 de Janeiro 2026

Economia & Mercado

Quando o banco toma o veículo, a dívida acaba? Nem sempre

Especialista explica sobre consequências deste tipo de endividamento, e compartilha conselhos para quitá-lo

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Quando o banco toma o veículo, a dívida acaba? Nem sempre
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O avanço do crédito facilitou o acesso ao carro próprio no Brasil, mas também ampliou os riscos para quem enfrenta dificuldades para manter as parcelas em dia. Nos financiamentos de automóveis com alienação fiduciária, modelo mais comum no país, o veículo funciona como garantia do pagamento. Na prática, isso significa que, em caso de inadimplência, o banco e outras instituições financeiras, como securitizadoras, podem retomar o bem.

Esse modelo se tornou ainda mais relevante diante do crescimento do financiamento de veículos. Em 2025, o número de contratos ativos no Brasil chegou a 5.321.080 unidades até setembro, o maior volume registrado para o período desde 2011, com alta de 0,6% na comparação anual, segundo dados da B3.

Apesar da popularização do crédito, o funcionamento desse tipo de contrato ainda gera dúvidas. O que muita gente não sabe é que perder o carro não significa, necessariamente, o fim da dívida. Em muitos casos, o débito continua existindo e pode comprometer o orçamento do consumidor por anos.

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Muitas pessoas associam a dívida exclusivamente ao bem físico, como se o carro encerrasse a obrigação. Na prática, o financiamento é um contrato financeiro, e o veículo é apenas a garantia”, explica Camila Rodrigues, Gerente de Cobrança para o Segmento de Veículos da Recoveryempresa do Grupo Itaú e líder na compra e gestão de créditos inadimplentes no Brasil. Segundo ela, compreender essa lógica ajuda o consumidor a tomar decisões mais cautelosas e a buscar alternativas antes que a inadimplência se agrave.

O que acontece quando o banco toma o veículo?

Quando há inadimplência, o banco pode apreender o veículo. A recente regulamentação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) trouxe mudanças importantes para quem financia veículos no Brasil. As normas disciplinam e viabilizam a retomada extrajudicial de carros, motos e caminhões em contratos com alienação fiduciária, desde que essa possibilidade esteja expressamente prevista no contrato e sejam observados os requisitos legais.

A medida foi criada para tornar o processo mais rápido e menos custoso, por outro lado, também reduz o tempo de reação do consumidor diante do atraso nos pagamentos. Após a retomada, o veículo costuma ser levado a leilão para tentar quitar a dívida. Se o valor obtido com a venda não for suficiente para cobrir o saldo devedor, o cliente pode continuar responsável pela diferença. Além disso, a inadimplência impacta negativamente o score de crédito, dificultando o acesso a novos financiamentos e operações financeiras.

Quando o veículo é tomado, a dívida continua?

Sim. A apreensão do veículo não extingue automaticamente a dívida. Caso o valor arrecadado no leilão não seja suficiente para cobrir o saldo devedor, incluindo juros, encargos e custos do processo. O consumidor ainda poderá ser cobrado pelo valor restante. Esse saldo pode ser negociado diretamente com o banco ou, em alguns casos, cobrado por vias judiciais. Portanto, perder o carro não significa, necessariamente, encerrar a obrigação financeira.

O que fazer nessa situação?

Quando a dívida persiste após a apreensão do veículo, é fundamental agir rapidamente para evitar que o problema se agrave. Algumas medidas importantes incluem:

  • Procurar o banco o quanto antes, demonstrando disposição para resolver a pendência;

  • Avaliar com cuidado a real capacidade de pagamento, evitando acordos que não caibam no orçamento;

  • Negociar condições mais viáveis, como prazos maiores, redução de juros ou descontos no saldo devedor;

  • Formalizar todos os acordos por escrito, garantindo segurança jurídica para ambas as partes.

A manutenção da dívida pode gerar novos prejuízos financeiros e comprometer o futuro do consumidor. Quando a negociação direta com o banco se mostra difícil, é sempre possível buscar o apoio de instituições especializadas em negociação de dívidas como alternativa para construir acordos nas melhores condições de pagamento”, diz a especialista. Segundo ela, o mais importante é não adiar a solução. Quanto mais cedo a situação é enfrentada, menores tendem a ser os impactos no orçamento e no histórico financeiro do consumidor. 

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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