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Domingo, 18 de Janeiro 2026

Justiça

Violência doméstica afeta corpo, mente e saúde pública, alerta especialista

Pesquisas indicam que as agressões atingem principalmente mulheres de 20 a 59 anos, com menor escolaridade, e provocam impactos físicos, mentais e sociais que ultrapassam o ambiente familiar

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Violência doméstica afeta corpo, mente e saúde pública, alerta especialista
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A violência doméstica no Brasil vai muito além das agressões físicas. Ela compromete a saúde mental, fragiliza o corpo e sobrecarrega o sistema público de saúde. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, realizada pelo IBGE, 17,3% dos adultos relataram ter sofrido violência psicológica nos 12 meses anteriores à pesquisa, enquanto 4,1% afirmaram ter sido vítimas de violência física.

Um levantamento publicado em 2025 pela Revista de Saúde Pública (Scielo) mostra que as mulheres mais atingidas estão na faixa etária de 20 a 59 anos, possuem ensino fundamental incompleto, se autodeclaram pardas e vivem majoritariamente em regiões urbanas do Sudeste. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado, 2024) reforça esse perfil e aponta que a vulnerabilidade é agravada por fatores socioeconômicos, como a falta de renda própria e o baixo acesso a políticas públicas. 

Para a advogada Victória Araújo Acosta, fundadora da VAA Advocacia e especialista em direito de família e violência doméstica, esses dados mostram que a violência não pode ser equiparada à agressão física, apenas. "A violência deixa marcas invisíveis que nem sempre chegam aos tribunais. Depressão, ansiedade, estresse e adoecimento físico são consequências diretas de um ciclo que mistura medo, dependência emocional e desigualdade econômica", afirma. 

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Embora os dados apontem as condições socioeconômicas das mulheres mais atingidas, a especialista reforça que é preciso lembrar que violência não tem classe social, raça ou fator que afaste as agressões. "Todas, infelizmente, estão sujeitas à violência doméstica. E precisamos aprender a não minimizar os sinais", aponta. 

Um estudo do Conselho Federal de Psicologia mostra que mulheres vítimas de violência têm até três vezes mais chances de desenvolver transtornos de ansiedade e depressão. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada três mulheres no mundo já sofreu algum tipo de violência física ou sexual, e que esse tipo de agressão está entre as principais causas de incapacidade psicológica e de doenças crônicas femininas.

Acosta explica que, na rotina forense, muitas dessas mulheres chegam aos processos de guarda, divórcio ou medidas protetivas com o emocional completamente abalado. "Nos tribunais, ainda é comum que a saúde mental da vítima seja vista como um detalhe. Mas ela é parte essencial da prova e da busca por reparação. O sofrimento psíquico precisa ser reconhecido como evidência do impacto da violência, com as consequências cabíveis", diz.

A advogada alerta que a ausência de suporte institucional e Jurídico agrava o quadro. "Quando a mulher busca o Judiciário como último refúgio e não é ouvida ou tem sua palavra minimizada, o ciclo da violência se agrava, e abre-se espaço para violência processual e vicária, o que não pode ser permitido pelos advogados".

Além de buscar representação especializada, Victória ressalta que a rede de apoio, formada por familiares, amigos, colegas de trabalho e vizinhos, tem papel decisivo na identificação e prevenção. "Sinais de isolamento, mudanças bruscas de comportamento, faltas frequentes no trabalho e medo constante são alertas de que algo pode estar errado. O silêncio da vítima não significa consentimento, e sim medo", afirma. 

"Ouvir sem julgar, oferecer apoio emocional e indicar os canais de ajuda já é um passo importante. Em casos urgentes, a denúncia pode ser feita mesmo sem o consentimento da vítima, especialmente quando há risco à integridade física".

Entre os canais oficiais estão o Disque 180, que funciona 24 horas por dia e garante anonimato; o aplicativo Proteja Brasil; as Delegacias da Mulher (DEAMs) e os Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), que oferecem acolhimento jurídico e psicológico.

A especialista defende que "combater a violência não é apenas punir o agressor, mas criar um ambiente onde a mulher possa se reconstruir com dignidade, com escuta acolhedora e sem julgamentos. Prevenir é cuidar da saúde mental, fortalecer a autonomia econômica e garantir que nenhuma mulher precise escolher entre sobreviver e falar”, conclui.

 

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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