O trabalho remoto deixou de ser uma solução emergencial para se tornar parte estrutural da rotina de empresas e profissionais. Mesmo com a retomada dos escritórios, o modelo híbrido segue como realidade para milhões de brasileiros. Nesse novo cenário, a casa se transformou em extensão do ambiente corporativo, mas nem sempre com a infraestrutura necessária para garantir estabilidade e segurança.
O que parece um detalhe técnico vem se mostrando um fator crítico. Oscilações de energia, quedas repentinas e picos de tensão podem interromper reuniões, corromper arquivos, derrubar conexões e até danificar equipamentos. O impacto vai além da frustração momentânea e começa a afetar diretamente a produtividade e os resultados das empresas.
Dados recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) indicam que, em 2025, o tempo médio de interrupção no fornecimento de energia no Brasil ainda ultrapassa 10 horas anuais por consumidor, com variações significativas entre regiões. Em paralelo, um levantamento da consultoria IDC (International Data Corporation ) aponta que mais de 60% das empresas brasileiras já operam em regime híbrido, ampliando a dependência de estruturas domésticas para atividades críticas.
Para o engenheiro elétrico Jamil Mouallem, sócio-diretor da TS Shara e especialista em infraestrutura energética, o maior risco está justamente no que não é visível. “No escritório, existe toda uma estrutura preparada para garantir continuidade. Em casa, muitas vezes, o profissional depende de uma instalação elétrica comum, sem proteção contra oscilações ou quedas. Isso transforma a energia em um ponto de vulnerabilidade silencioso”.
Segundo Mouallem, o desafio vai além da produtividade individual e alcança a operação das empresas como um todo. “Uma reunião interrompida pode ser retomada, mas a perda de dados, a instabilidade em sistemas ou a indisponibilidade em momentos críticos geram impactos maiores. Quando o trabalho depende de conectividade e tecnologia, energia estável deixa de ser suporte e passa a ser a base”, explica.
Com a digitalização acelerada e o avanço de ferramentas em nuvem, videoconferência e colaboração em tempo real, a tolerância a falhas se torna cada vez menor. Pequenas oscilações, antes imperceptíveis, hoje podem causar desconexões, travamentos e falhas em processos automatizados.
Diante desse cenário, o especialista aponta recomendações práticas para reduzir riscos no trabalho remoto e híbrido:
• Invista em proteção elétrica: filtros de linha e dispositivos de proteção ajudam a evitar danos causados por picos de energia.
• Considere fontes de energia ininterrupta: nobreaks garantem tempo suficiente para salvar atividades e manter equipamentos críticos em funcionamento.
• Evite sobrecarga de tomadas: distribuir corretamente os equipamentos reduz o risco de aquecimento e falhas.
• Verifique a qualidade da instalação elétrica: fiações antigas ou mal dimensionadas aumentam a vulnerabilidade a oscilações.
• Priorize conexões seguras: roteadores e modems também dependem de energia estável para manter a conectividade.
• Tenha um plano de contingência: desde backup de arquivos até alternativas de conexão, como internet móvel, para momentos críticos.
O avanço do trabalho híbrido redesenha não apenas a dinâmica das empresas, mas também a infraestrutura necessária para sustentá-la. “O escritório deixou de ser um lugar físico único e passou a ser distribuído. Isso exige uma nova forma de pensar a energia, não mais centralizada, mas presente em cada ponto onde o trabalho acontece”, conclui o engenheiro.
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