Conhecido mundialmente como uma das maiores manifestações culturais do Brasil, o Carnaval reúne todos os anos milhões de pessoas que ocupam ruas, avenidas, sambódromos e praias para celebrar a festa, movimentando o turismo e a imagem do país no exterior. Só em 2025, dados do Governo da Bahia indicaram que aproximadamente 11 milhões de foliões e turistas circularam pelos principais circuitos carnavalescos do estado.
Mas por trás da alegria dos blocos e desfiles, existe uma complexa operação de segurança pública que começa a ser planejada meses antes, envolvendo articulação entre governos municipais, estaduais e federal. Para 2026, a prefeitura de São Paulo já anunciou que a segurança será intensificada, tanto nos mais de 760 blocos de rua cadastrados quanto nos circuitos tradicionais, integrando forças policiais, bases móveis, pronto atendimento de hospitais, torres de observação e tecnologia de vigilância para ampliar a capacidade de resposta nas áreas de maior fluxo.
Para o especialista em segurança pública e coronel reformado da Guarda Civil Metropolitana da Capital Antonio Branco, o Carnaval exige uma lógica diferente da segurança tradicional. “Não se trata apenas de reprimir crimes, mas de gerenciar multidões em um ambiente de emoção, consumo de álcool e grande mobilidade. Com isso, a análise do poder público em cada bloco, desfile e ponto de concentração é essencial para identificar o fluxo de pessoas, histórico de ocorrências, acessos e rotas de emergência. Sem esse diagnóstico, a operação fica vulnerável”, explica.
O especialista ainda ressalta que a atuação preventiva também passa por campanhas educativas e de conscientização. Mensagens sobre combate ao assédio, consumo responsável de álcool e cuidado com pertences pessoais são amplamente necessárias. Além disso, o ordenamento urbano é parte essencial da segurança. Interdições de vias, controle de acesso a determinadas áreas e normas para carros de som e trios elétricos ajudam a reduzir riscos e evitar conflitos.
Em um país onde o Carnaval é mais do que uma festa, a segurança pública deve ser elemento-chave para que a tradição continue sendo sinônimo de alegria, diversidade e celebração coletiva. “O público precisa se sentir protegido para aproveitar a festa, e a maior vitória do poder público é garantir que a celebração termine com boas lembranças, e não com estatísticas negativas", conclui Branco.
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