Nossa mente é um labirinto. Isso, todos sabemos. Mas há uma maneira de tornar o labirinto um pouco menos complexo. Compreensível, e até divertido!
Aconteceu, em 28 de outubro de 2025, no Vibra São Paulo, em Santo Amaro, Zona Sul da Capital Paulista, a edição 2025 do Mind Summit. Depois de um ano de ausência, o Correio volta a acompanhar uma edição de uma das mais importantes conferências sobre saúde mental e gestão de pessoas da América Latina.
Entre muitos destaques, começamos com a palestra do professor de Oxford (Reino Unido) Jan-Emmanuel De Neve, onde explicou a importância das empresas investirem em bem estar. O professor, que é um dos idealizadores do Movimento Mundial do Bem-Estar (World Wellbeing Movement), afirmou que bem estar, não é responsabilidade apenas da área de recursos humanos. Segundo um levantamento apresentado por De Neve, a organização em si, é responsável por 53% pelo bem estar no trabalho. As pessoas, ficam com 47%.
Favorável ao uso da inteligência artificial, deixou uma lição impactante para o público: os gestores precisam ter uma mentalidade de crescimento, ao invés de ter uma mentalidade de redução de custos.
Seguindo, tivemos um painel sobre segurança psicológica, apresentado por Amy Edmonson, professora da Faculdade de Administração da Universidade Harvard (EUA) diretamente de seu escritório. A professora deixou claro que "a educação continuada (Lifelong Learning) hoje, é a chave para tornar-nos grandes amanhã", e que constantemente, somos professores e aprendizes. Sobre o ambiente corporativo, Edmonson também afirmou que a "cultura organizacional é uma força poderosa". Para mostrar que somos psicologicamente seguros, é preciso superar, o que a professora americana chama de "zona de ansiedade", e que é preciso ter "ambição com humildade".
No final do painel, Amy afirmou que liderança e comportamento andam juntos, pois "comportamento é liderança". Edmonson também confirmou sua presença no Mind Summit 2026.
Seguindo, teve a apresentação de Tamara Myles, professora da Universidade do Estado da Pensilvânia (UPenn, EUA). Recifense radicada há duas décadas nos Estados Unidos, Myles teve a presença dos pais no Vibra São Paulo. Tamara - que falou sobre liderança positiva - apresentou pontos interessantes, como um dado levantado por ela e sua equipe da UPenn: 48% da experiência de trabalho vem da liderança. Algo muito interessante também, Myles afirmou que, no trabalho, é preciso ter significado ao invés do tão popular "propósito".
"O significado é maior do que o propósito". (Tamara Myles)
Todos nós já ouvimos falar do conceito BurnOut, que até virou até doença, certo? Tamara explicou o conceito de BoreOut, ou seja, o esforço invisível que leva ao BurnOut. Myles, co-autora do livro "Muito Além do Salário" (Editora Harper Business), escrito junto ao seu colega de UPenn Wes Adams, afirmou também que todo trabalho pode ser significativo através de três pilares construídos pelos líderes dentro de uma cultura organizacional que tenha: comunidade, contribuição e crescimento.
Tamara aproveitou o Mind Summit para autografar exemplares do livro para o público presente no Vibra São Paulo.
Um dos pontos altos do Mind Summit 2025, foi o painel conduzido pela jornalista Mariana Ferrão com a participação de Michelle Schneider, especialista em futuro do trabalho e professora na Singularity University e com o Doutor Daniel de Barros, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e co-apresentador do programa "HumanaMente", da Rádio BandNews FM (São Paulo, 96,9), e que conversou com o Correio no Mind Summit 2023 (em breve, essa conversa estará em nosso Spotify).
O Dr. Daniel afirmou que "estamos sofrendo, mas não adoecendo", sobre o aumento de casos envolvendo a saúde mental no âmbito corporativo. Sobre o futuro do trabalho, Schneider explicou que "não há estudos sobre o tema após 2030" , muito devido à influência e desenvolvimento da inteligência artificial. Ainda sobre inteligência artificial, Barros completou que "a inteligência artificial pode ajudar, mas não substitui a 'conexão gente-gente'".
Para finalizar o painel, Michelle apresentou quatro pontos que o profissional do futuro precisa desenvolver e trabalhar: 1) ter uma mente inovadora; 2) ter também um letramento tecnológico, estar atualizado sobre as tecnologias do momento; 3) inteligência emocional (sim, Daniel Goleman está em tudo!); e 4) estar com a saúde mental em dia. Sabemos o porquê!
Após este painel, tivemos uma conversa com um dos maiores nomes da psicologia organizacional do mundo, Adam Grant, professor da Faculdade de Administração Wharton, também integrante da Universidade do Estado da Pensilvânia (UPenn, EUA). Grant falou sobre liderança e segurança psicológica, o que realmente importa na era da IA. Adam afirmou que todos nós temos nossos vieses, mesmo o "viés de não ser enviesado".
Sobre liderança, Grant foi categórico afirmando que "líderes humildes não são julgados", e que "nossas crenças foram construídas em um mundo que não existe mais". Isso serve não apenas para líderes, mas para quem é papai e mamãe também!
Adam apresentou o conceito de "pensamento científico", onde precisamos pensar nem mais, nem menos, mas "na medida certa".
Por fim, sobre segurança psicológica, o professor de Wharton afirmou que "a segurança psicológica é suporte para a equipe se expressar mesmo que não haja solução ainda". Adam, que participou virtualmente, estará em São Paulo no Mind Summit 2026.
Teve um momento "talk show de televisão", o Mind Talks, apresentado pela co-fundadora do Mind Institute Ivana Moreira, que entrevistou executivos das empresas patrocinadoras do Mind Summit, como a Vale, e a Heineken Brasil. A conversa com Maurício Giamellaro, diretor executivo (CEO) da Heineken Brasil - com direito a "torcida"-, serviu para explicar como a cervejaria holandesa consegue se manter como uma das líderes de mercado desde o seu estabelecimento no Brasil, há 15 anos, e que mantém no país marcas como Kaiser, Cintra, Baden Baden, Devassa, Eisenbahn e a "conterrânea" Amstel.
O segredo? Investimento no bem estar dos colaboradores. A criação dos "embaixadores da felicidade" refletiu no aumento de 80% no lucro da companhia no Brasil.
Giamellaro, que é paulistano de nascimento, economista formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) da Capital, foi vice-presidente de vendas e distribuição antes de alcançar o principal posto da multinacional. Maurício diz que seu estilo de gestão é se mostrar o mais humano possível, e que "o CEO precisa se sentir vulnerável".
E então, a cereja do bolo. A última apresentação foi a do professor da Universidade Harvard (EUA) Tal David Ben-Shahar, o maior nome em psicologia positiva no mundo. Ben-Shahar iniciou listando cinco pilares justificando o porquê da felicidade ser importante para a liderança. São eles: 1) inovação e criatividade; 2) engajamento e motivação, 3) performance geral, 4) melhor saúde física e 5) relações interpessoais.
O professor - que embora seja israelense de nascimento, é campeão de squash nos Estados Unidos - afirmou que "estudar felicidade agora é mais importante do que nunca".
Ben-Shahar apresentou o conceito de "crescimento pós-traumático", que, ao contrário da doença, faz com que possamos melhorar após um evento importante em nossas vidas.
Com sua "permissão para seu humano", o professor de Harvard afirmou também que "pensamentos ruins são fenômenos naturais", e que "a felicidade insiste em permitir infelicidade". E que de alguma forma, todos nós somos "provedores de serviços".
Novamente, vamos lembrar que Ben-Shahar é atleta, e que seguramente, iria defender a importância da atividade física como fator preponderante para a felicidade. Assim foi. Ben-Shahar explicou que o "stress não é o problema, e sim, a falta de recuperação". Usou como exemplo, os treinos na academia: você fica mais forte, se fizer os exercícios nos intervalos correspondentes e respeitar o período de descanso.
"Exercício físico é o melhor remédio psiquiátrico". (Tal Ben-Shahar)
Outro exemplo que o professor de Harvard deu, foi referente à própria família. A avó de Ben-Shahar morreu de Alzheimer, e que sua mãe estava a caminhar pela mesma direção. Após explicar para a sua mãe a importância dos exercícios para a longevidade, ela não para de se exercitar desde a pandemia de coronavírus.
Finalizando sua apresentação, Ben-Shahar explicou a importância de doar e se doar, citando o verbo hebraico "Natan" - que também costuma ser nome - que significa "doar", e sobre uma lição do pai da administração moderna, Peter Drucker.
Drucker, que no final da sua vida recebia alguns alunos em sua casa em um final de semana, dizia no final da experiência: "Não me diga como foi incrível este final de semana. Diga-me o que irá fazer de diferente neste segundo".
Conforme dito por Adriana Drulla, co-fundadora do Mind Institute e apresentadora do Mind Summit, após três edições intensas com apenas um dia, a edição 2026 será em dois dias, em 09 e 10 de setembro. O Correio vai trazer mais informações para você, não deixe de nos acompanhar!
*(O repórter acompanhou à convite da Heineken Brasil)
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