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Sábado, 31 de Janeiro 2026

Economia & Mercado

Saúde mental avança, mas sono e finanças seguem como pontos críticos

Levantamento com mais de 18 mil respondentes mostra bons índices em saúde mental e física, mas revela que sono, estresse financeiro e condições de trabalho ainda são determinantes para o adoecimento e a produtividade

Correio Regional São Paulo
Por Correio Regional São Paulo
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Saúde mental avança, mas sono e finanças seguem como pontos críticos
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A discussão sobre saúde corporativa evoluiu, mas os dados mostram que ainda existe uma distância significativa entre os benefícios oferecidos e o cuidado em saúde que as pessoas realmente utilizam. Uma pesquisa recente realizada com 35 mil respondentes analisou múltiplas dimensões do bem-estar e revelou um cenário ambíguo: avanços importantes em saúde mental, física e no trabalho convivem com fragilidades relevantes em sono, saúde financeira e bem-estar no ambiente profissional.

O levantamento avaliou cinco pilares do bem-estar - mental, físico, social, financeiro e trabalho - e aponta resultados positivos, especialmente, em Trabalho (8,2), Saúde Mental (7,9) e Saúde Física (7,6). No entanto, o pilar financeiro aparece como o mais crítico, com scoremédio de 4,4, seguido pelo social (6,3), indicando maior vulnerabilidade nessas dimensões. “Os dados mostram que oferecer benefícios não é suficiente. O cuidado em saúde precisa fazer sentido na rotina das pessoas. Quando ele não se conecta com o que realmente impacta o dia a dia,como sono, dinheiro e estresse, a adesão cai e o risco aumenta”, afirma Gustavo Drago, especialista em Saúde Corporativa e diretor executivo (CEO) da Becare.app, plataforma de tecnologia em saúde e bem-estar corporativo que impacta mais de 500 mil colaboradores em organizações líderes de mercado e é responsável pelo estudo.

Entre todos os achados da pesquisa, a qualidade do sono se destaca como um dos principais fatores de proteção à saúde mental. Na população geral, 11,5% apresentam sintomas depressivos e entre aqueles que relatam dormir bem, o índice cai para 5,2%, ou seja, menos da metade. O mesmo padrão aparece no estresse: 17,7% da população total relata níveis de estresse intenso ou muito intenso, percentual que cai para 9,4% entre quem dorme bem. “Dormir bem não é luxo, é estratégia de saúde. O sono aparece como um dos maiores fatores de proteção contra depressão, ansiedade e estresse elevado. Ignorar isso é comprometer qualquer política de bem-estar”, destaca Gustavo. 

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A pesquisa também identificou uma forte associação entre comportamentos de risco, pior qualidade do sono e níveis elevados de estresse. O sedentarismo aparece como um dos principais agravantes: 55% das pessoas sedentárias relatam sono ruim contra 37,7% da média geral, e 32% apresentam estresse muito alto - quase o dobro da população total.

Entre os fumantes, 46% relatam sono ruim e 22% estresse muito alto. O cenário é ainda mais crítico entre pessoas com consumo excessivo de álcool: 60% relatam sono ruim e 37% níveis muito elevados de estresse, configurando o grupo com maior vulnerabilidade combinada. “Estes fatores não atuam isoladamente. Sono ruim, estresse e comportamentos de risco se reforçam mutuamente, criando ciclos difíceis de quebrar quando não há uma abordagem integrada de saúde”, explica o CEO da Becare.app.

A pesquisa mostra, também, que 21% da população está em risco ou já apresenta algum nível de adoecimento em saúde mental, sendo 63% mulheres. Em saúde física, 6,8% estão em risco, com 66,2% de mulheres. Já a saúde financeira coloca 8% da população em situação de alerta, com distribuição equilibrada entre gêneros.

Casos de ideação suicida representam 2,6% da amostra e revelam um padrão de alta vulnerabilidade:

 79% apresentam sono ruim (mais que o dobro da média geral)
 18,2% são fumantes ativos
 maior consumo de álcool;
 elevados índices de desconexão social, com taxas até oito vezes maiores de falta de pertencimento
 maior incidência de dificuldades financeiras, como contas frequentemente atrasadas.

Para Gustavo, a ideação suicida é o ponto extremo de um acúmulo de falhas nas várias dimensões da saúde. “Quando social, financeiro, emocional e comportamental se deterioram juntos, o risco se intensifica”, alerta.

Outro dado relevante é que a ansiedade é muito mais prevalente que a depressão. Enquanto 52,6% das pessoas relatam sintomas de ansiedade, apenas 11,5% relatam depressão. Apesar disso, o acesso ao cuidado é limitado: 67,1% dos ansiosos não fazem psicoterapia e apenas 20% têm acompanhamento psiquiátrico. “A ansiedade é hoje o maior gargalo invisível da saúde corporativa. É o grupo mais numeroso e, paradoxalmente, o menos assistido. Isso impacta diretamente o desempenho, o clima e o absenteísmo”, afirma o especialista.

Bem-estar no trabalho: alta exigência emocional e baixo controle

No ambiente profissional, 34,4% das pessoas afirmam lidar com tarefas emocionalmente exigentes. Os piores indicadores aparecem em três fatores críticos: gestão de mudanças, demandas do trabalho e baixo controle sobre as próprias atividades. Essa combinação é reconhecida como um dos principais fatores de risco para estresse crônico, exaustão e adoecimento mental.

Para Gustavo, o levantamento reforça que saúde corporativa eficaz exige estratégias baseadas em dados, integração entre dimensões e foco na experiência real das pessoas. “O cuidado em saúde só funciona quando as pessoas conseguem usar. Isso significa olhar para sono, trabalho, dinheiro, relações e saúde mental de forma conectada. Quando a empresa faz isso, o impacto aparece no bem-estar, na produtividade e na sustentabilidade do negócio”, conclui.

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FONTE/CRÉDITOS: Por Redação
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